Eco Fibres

De acordo com estudos globais de mercado do Research Market , o mercado das ECO fibras totalizou 121.42 bilhões de dólares em 2017 – e a expectativa é de que, em 2026, chegue a 398 bilhões. A preocupação que vem crescendo em relação à sustentabilidade ambiental é o principal fator que influencia esse aumento. O que impede o mercado de crescer ainda mais, e isso já foi comentado em um post anterior, é os altos custos e das técnicas usadas e dos materiais com esse tipo de propósito.

Enquanto apenas marcas pequenas e empresas de pequeno porte desenvolverem tecnologias e produtos relacionados, os preços ainda não serão competitivos em relação a produtos que degradam e prejudicam o meio ambiente. Porém, cada vez mais, vemos as grandes marcas lançarem coleções com fibras e tecidos sustentáveis, reciclados e naturais – o que tem contribuído para, cada vez mais, termos acesso aos produtos que carregam informação de moda E sustentabilidade.

As ECO fibras são aquelas que não necessitam de pesticidas ou químicos para crescerem – elas são naturalmente resistentes e são obtidas de peles de animais ou de plantas.  Algumas fibras desse tipo são as de Bamboo, Sementes, Soja e materiais reciclados e “upcycled”.

Hoje vemos grandes players da indústria têxtil desenvolvendo novos materiais e tornando cada vez mais comum a inclusão disso no nosso dia a dia e em marcas que não nasceram com esse propósito – mas entenderam que isso é o futuro.

 

 

Sistemas sustentáveis

Com todo esse movimento em prol da sustentabilidade ambiental e social – inclusive, tecnológico – que acabam gerando ansiedade e dúvidas.

A busca das empresas em reduzirem o seu impacto ambiental e buscarem por novas formas de produção, design e materiais, trazem a certeza de que estamos trilhando um caminho em que o normal será ter essa preocupação.

Hoje, muitas empresas ainda encontram barreiras nessa busca – principalmente por falta de fornecedores, preços economicamente viáveis dos materiais e processos. Porém, com o aumento da procura por isso, com o tempo, será cada vez mais comum as marcas utilizarem materiais naturais, reciclados, tecnológicos e que não agridam o meio ambiente. O foco hoje está na mudança de paradigmas, na pesquisa dessas novas possibilidades e na avaliação da aplicação de tudo isso no dia a dia das empresas.

A ansiedade gerada gira em torno do fato de que a gente começa a se questionar o que realmente vale os produtos que estamos consumindo – ok, eles são naturais, veganos, utilizam materiais naturais, mas o que mais tem por trás disso tudo?!

Muitas vezes, pequenas marcas se deparam com a dificuldade de apresentar seu preço no mercado: utilizam formatos menores, produção artesanal, compram em menores escalas e vendem volumes menores de produto – tudo isso alinhado ao uso de materiais que, muitas vezes, não estão sendo utilizados por grandes marcas. O consumidor ainda considera esse trabalho caro, e opta por adquirir produtos antes já conhecidos e de materiais não sustentáveis, mas baratos.

Por isso, a informação disponível sobre cada marca e sobre cada processo é importante: o consumidor precisa enxergar esse valor – principalmente enquanto o mundo todo não caminhar na mesma trilha. O natural vai ser o sustentável, os materiais reciclados, as linhas ecológicas, as pesquisas em torno disso não param.

Cada dia estaremos nos deparando com mais e mais materiais incríveis e design de produtos maravilhosos e com consciência – é só procurar, se informar e, hoje, é importantíssimo: QUESTIONAR! Questionar o que é, de onde veio, qual o material, se tem certificação, quem fez. Sempre tem uma cadeia por trás do que a gente compra – desde o fornecimento de matéria prima até a entrega. Já parou pra pensar nisso?! O botão, a linha, o tecido, o corte de cada pecinha da sua roupa, foi feito por alguém. E esse trabalho teve um custo. E isso deve ser valorizado!

 

 

Photo by Daria Shevtsova from Pexels

 

 

Liderança e Negócios Conscientes: ser sustentável é muito mais do que imaginamos

Ser sustentável hoje é algo que as empresas e as pessoas consideram a nova normalidade – a nova economia recebe esse conceito de forma a elevarem os negócios e as nossas práticas diárias a um outro patamar.

A palavra sustentável, porém, tem tido diversas definições e diferentes abordagens falando de liderança, negócios ou mesmo em relação a nossas práticas no dia a dia.

Na maioria das vezes, o conceito ainda é relacionado diretamente com boas práticas que não prejudicam o meio ambiente e que protegem nossa terra da devastação, poluição e também acúmulo de lixo e descarte. Essa visão se tornou um pouco limitada – apesar de ser usada para falar sobre e representar projetos e empresas que tem práticas sustentáveis (empresa sustentável, tecido sustentável, matéria prima sustentável…).

Ok. Mas e o que é uma empresa sustentável?!

E um tecido?! Um material?!

Para começar, a definição de sustentável é:

sustentável
adjetivo de dois gêneros
  1. que pode ser sustentado; passível de sustentação.
Origem
⊙ ETIM sustentar + -́vel

 

Quando falamos de negócios, a sustentabilidade serve, justamente, para analisarmos além da parte relacionada a meio ambiente: as decisões, estratégias, processos, equipe, etc, devem ser organizadas e dimensionadas de forma a sustentar a empresa a longo prazo. Isso significa ter uma visão total do business.

Há 25 anos, John Elkington cunhou o “tripé da sustentabilidade” como forma de estruturar a sustentabilidade baseada em meio ambiente, sociedade e economia. Ou seja, para que uma empresa, organização ou sociedade fosse sustentável, deveria tomar decisões considerando sempre esse tripé – assim, seria possível a sustentação a longo prazo.

Em post recente da HSM, John comenta que esse tripé foi levado pra outro lado e deve ser revisto: “O objetivo do Tripé da Sustentabilidade era mudanças no sistema – impulsionando a transformação do capitalismo como ele é conhecido hoje. Isso não foi criado para ser apenas um sistema financeiro – a origem disso tem a intenção de ser um código genético, uma hélice de mudanças para o capitalismo do amanhã, com o foco no avanço das mudanças, da disrupção e do crescimento assimétrico e a escalabilidade das soluções para as próximas gerações”.  

O que acontece hoje é que, muitas vezes, esse tripé ainda foi visto com o foco total no financeiro: mesmo que as preocupações com os outros fatores estão cada vez mais fortes, a ferramenta tem sido usada como base para desenvolver estratégias de lucratividade.

Quando a isso, o conceito de sustentabilidade vem fortemente com a visão de olharmos para todos os aspectos sociais, ambientais e também financeiros – a roda, como um todo, tem que girar – e deve ter uma visão de futuro bem estruturada para que funcione e para que o mundo aceite e suporte tanto em relação aos recursos necessários quanto em relação ao mercado existente.

Quando ao desenvolvimento sustentável, a definição muda um pouco o enfoque – o que tem confundido, talvez, o que entendemos como sustentabilidade:

Conforme a definição da ONU – “O desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades.”

Isso, sim, se apoia mais em decisões relacionando o meio ambiente e o fator social de cada empresa – de modo a avançarmos nosso desenvolvimento (também) econômico, mas respeitando o futuro das gerações.

Ser um negócio consciente pode ter diversas formas de aplicação e de pensar – o que, baseado nessas convicções, remete ser consciente nos negócios?

A consciência – essa sim, nos trás uma visão maior e acima de tudo: dentro de todos os aspectos que estão sendo abordados relacionados a todos esses assuntos, como tomarmos a responsabilidade de liderar e tomar decisões conscientes?!

Nosso dia a dia pode estar nublado com tanta operação e rotinas consideradas comuns – o que trás a necessidade de um design de negócio e de estratégias mais amplo e claro. Dentro disso, melhores práticas podem ser visualizadas e aplicadas – com base em revisão de processos, produtos, atividades e prioridades. A liderança consciente leva muito em consideração o quanto de auto conhecimento em relação às nossas próprias práticas pessoais quanto empresariais.

 

http://johnelkington.com/publications/articles-blogs/
https://hbr.org/2018/06/25-years-ago-i-coined-the-phrase-triple-bottom-line-heres-why-im-giving-up-on-it
https://nacoesunidas.org/
https://www.consciouscapitalism.org/

Global Organic Textile Standard (GOTS)

Global Organic Textile Standard (GOTS) é a certificação padrão quando falamos sobre tecidos orgânicos. Ele representa alto padrão de critérios ambientais e sociais da cadeira de valor das fibras orgânicas.

Os tecidos, para receberem a certificação, devem conter um mínimo de 70% de fibras orgânicas naturais certificadas. Os químicos utilizados devem também obedecer critérios ambientais e toxicológicos, além de tratamento de água em qualquer processo envolvido. A escolha dos toques finais é limitado de acordo com os aspectos ecológicos.

Um produto que contém o selo do GOTS ORGÂNICO deve conter um mínimo de 95% de fibras orgânicas certificadas, enquanto o selo FEITO COM ORGÂNICOS deve conter um mínimo de 70%. A certificação considera também a parte social em relação às condições de trabalho de quem produz o tecido, e garante que não há substâncias tóxicas usadas nos processos que sejam nocivos aos humanos.

Os critérios ambientais considerados nessa certificação incluem que todos os processos que envolvem a fibra orgânica devem ser separados dos de fibras comuns, e isso deve estar devidamente identificado; os químicos adicionados devem ser avaliados e seguir requisitos básicos de toxidade e biodegradabilidade; é proibido o uso de metais pesados, solventes aromáticos, GMO (organismos geneticamente modificados), nanopartículas funcionais, entre outras; o uso de agentes sintéticos é restrito; alvejantes devem ter como base oxigênio e não cloro; tintas e corantes não podem ter componentes cancerígenos, assim como estamparia que utiliza solventes aromáticos e métodos que necessitam plastisol, PVC e ftalato; os operadores devem ter políticas ambientais como metas e procesimentos que minimizam desperdícios e descargas; unidades de processamento de molhados devem manter registros do uso de químicos, energia, água e desperdícios, incluindo o iodo – e a água deve ser tratada; os materiais de embalagens não podem conter PVC, e os papéis utilizados em embalagens, tags, etc devem ser reciclados ou certificados de acordo com o FSC ou PEFC*.

Os critérios de qualidade e humanos considera que a qualidade técnica dos parâmetros devem ser seguidas e que os materiais ainda crus, intermediários ou produtos finais devem ter limites restritos em relação aos resíduos gerados. Socialmente, a certificação considera que se siga as normas internacionais de organização laboral (ILO) por todos os envolvidos no processo – deve existir uma gestão centralizada para garantir que isso seja de fato seguido.

 

* A certificação FSCTM, emitida pelo Forest Stewardship Council™, e a certificaçãoPEFCTM, emitida pelo Program for the Endorsement of Forest Certification, são selos reconhecidos internacionalmente para operações em florestais sustentáveis e bem manejadas.
https://fi.fsc.org/fi-fi
https://www.pefc.org/
https://www.ilo.org/global/lang–en/index.htm
https://www.global-standard.org/the-standard/general-description.html